ZOIANDO

sábado, 12 de novembro de 2016

SIM SENHOR!


Desde o ultimo dia 12 resolvi me despir (literalmente) neste espaço que carrega em seu domínio o nome de uma das obras mais famosas do pintor espanhol Salvador Dalí e que tão bem representa a minha vida sexual (não estou reclamando!!!). Obra essa que já mas verei a original pois a mesma se encontra em Madri (e como diz o Fernando e Sorocaba, ..."Que bom seria se São Paulo fosse do lado de Madri"...) ai era outros quinhentos.

Mas hoje não vim aqui falar de putaria... (Até porque esse blog não é sobre putaria, tá bom pode rir!) Se caso essa for a sua intenção clique aqui, caso contrário espere uma outra publicação por que hoje vim aqui falar sobre o meu pai, e como é final de semana (sim, esse blog é atualizado semanalmente!) nada melhor que um post 'família"!

Meu pai sempre foi um deses caras trancadão com os filhos, eu mesmo nunca mantive um diálogo propriamente dito, o famoso jogar conversa fora, sabe? Nossas conversar (se assim podemos dizer) tinha sempre um porque, e esse porque era sempre uma obrigação (faz isso, faz aquilo ou sim e não) eram sempre na função patrão/empregado. E, ai de mim se não obedecesse, o chicote comia.

Meu irmão mais velho conta que nem sempre foi assim, que antes do nascimento dos outros quatro filhos (somos em cinco) ele era um pai presente, desses de comercial de margarina (equivalente a nossa realidade, é claro!), que o levava para passear, que lhe presenteava (com essas besteiras que crianças adora). Uma pai que não cheguei a conhecer, hoje penso que poderia ser diferente se tivesse conhecido esse seu outro lado.

Fomos criados em uma redoma de vidro onde nada podia e tudo era errado, sair pra brincar com os primos só se fosse escondido, jogar bola, nadar no rio era pedir pra ser espancado em via publica. E foi em uma dessas que senti o que era humilhação, tinha entre nove e dez anos e não lembro quem teve a bendita ideia de fazer um piquenique as margens do rio, e lá fomos nós, o pessoal saiu na frente pra despistar, o meu irmão e eu esperamos o nosso pai sair pra trabalhar na roça e assim fizemos, cientes que ele nunca saberia. Como eramos inocente, ele não só soube como foi lá e ai vocês podem imaginar, uma surra com direito a plateia (o bom foi que como eu era menor e a responsabilidade sempre caia sobre o mais velho, preciso dizer que ele me bateu menos?  kkkk) Com que cara enfrentar os olhares dos nossos amigos no outro dia?

Em meados dos anos 2000 fomos morar na serra  apos a separação e como era de se esperar os filhos ficaram com a mãe, mas como uma mulher desempregada iria sustentar cinco filhos, a separação não durou muito e nos vimos na mesma situação de antes. De inicio ele veio com uma proposta de um novo homem, que mudaria, que não mais espancaria a nossa mãe (esqueci de dizer que sempre que bebia ele a espancava), foram inúmeras as  vezes que a vimos ser espancada sem nada poder fazer, só que um dia ela disse que iria criar vergonha, o que nunca aconteceu de fato! Eu não a culpo, é tão difícil nos libertar do que nos faz mal que os sentimentos se confunde e não sabemos mais o que é melhor pra nos, se mantemos tudo como estar, com os contras pesando mais que os a favores ou se aventuramos no incerto almejando a tão desejada liberdade, mas o que fazer quando não se acha digno dessa tão cultuada liberdade?

Passaram se os anos e em 2009 meu pai veio a falecer feito um indigente, ele foi encontrado afogado apos ser entregue a bebedeira , nesta época só quem mantinha contato com ele eram as nossas irmãs e  foi em uma fatídica manhã de setembro que toda a magoa perdeu sua razão de existir, dos seus 42 anos os 21 que fiz parte são raras as vezes que recordo com carinho, não sou hipócrita em dizer que sentia/sinto alguma coisa por ele porque não é verdade,e como não creio em vida apos a morte sei que aquele foi o adeus.

 Chegando no local, o meu mundo caiu, já tinha visto muitas pessoas naquela situação, o aglomerado de curiosos a chegar a todo momento com os seus celulares a registra a dor alheia, o boato, os comentários nada oportuno, juntou tudo isso desabei, nunca demostrei tanta emoção em publico, mas o bom é que depois das lagrimas se perdoa/esquece tudo, acho que os filhos tendem a repetir os pais e com ele não deve ter sido diferente!

Desculpa pelo texto pesado mas foi necessário, e repetindo uma frase da/do TatiCelo (espero que de sua autoria) "para educarmos os nossos filhos temos que fazer tudo o que os nossos pais nos fizeram só que ao contrário".

Eu sou o Pedro. E esse foi mais um; "O Grande Masturbador".
Todo Sábado as 08h00 da manhã, ou assim que possível
E nunca se esqueça, a gente se vê por aqui!

5 comentários:

  1. tenso mesmo mas verdadeiro, realístico, racional. emotivo, critico enfim, um texto riquíssimo que te revela quase por inteiro. Parabéns meu caro. Um verdadeiro Retratos da Vida, igual a de todos nós, mudama os personagens, os cenários, o contexto mas o roteiro básico sempre o mesmo ... família.

    Beijão

    ResponderExcluir
  2. É. Sei mais ou menos como você se sente, porque já convivi com gente autoritária na minha família (só não tinha violência física tão constante quanto você descreveu aí). Aquele tipo de pessoa que quer mandar em todos e ser respeitada por todos, mas achando que não precisa respeitar ninguém. A autoridade tem que ser só dela e o respeito tem que ser só pra ela, não importa qual seja a situação.
    Mas vou dizer uma coisa: geralmente só chega a esse ponto quando tem outra pessoa da família que ´deixa` isso acontecer. Não tô falando por acaso, não. Já vi esse fenômeno acontecer na minha família (a minha mãe sempre deu muito espaço pra minha avó se meter aqui em casa, e acrescente a isso o fato de que ela era do jeito que eu descrevi acima e só morreu com 92 anos e até o final foi assim), já vi acontecer em outras famílias... Quando tem essa pessoa que passa dos limites, tem sempre outra pessoa da família (geralmente uma mulher) que passa a mão na cabeça dela, fica querendo proteger ela independente de todos os absurdos que ela tenha feito e falado, chega pra todo mundo e diz que os outros é que tem que entender o lado dela, diz que aquela pessoa é assim porque é o jeito dela de amar todo mundo...
    Já vi isso algumas dezenas de vezes. Mas não quero nem aceito mais conviver com isso daqui pra frente.

    ResponderExcluir
  3. Gostei dessa técnica de "como educar os nossos filhos "

    ResponderExcluir
  4. Olá amigo!
    Obrigado por visitar meu blog.Vim para retribuir e confesso que gostei muito!Seus textos são ótimos.Irei ler todos e te seguir sempre.
    Abraços querido.

    ResponderExcluir

EU OUVI BUCETA?

< POSTAGEM ANTERIOR - PRÓXIMA POSTAGEM > Bom, minha vida sexual tá um pouco parada (não por opção) até porque se fosse por mim...